Entrevista com a banda Carbona


No mês de Dezembro de 2007, o Carbona, uma das principais bandas independentes do Brasil, completou 10 anos de atividade. Para comemorar a longevidade do grupo, o Vale Punk preparou uma entrevista especial com o vocalista e guitarrista Henrique Badke, que contou tudo da história do Carbona e alguns projetos para este ano de 2008.

Como e quando vocês criaram o Carbona?
Carbona nasceu em 1997. Dezembro de 97. Uma forma banal porém muito especial de se começar a banda. Três amigos conversam sobre música e não demora a surgir a célebre frase: Vamos fazer uma banda? No dia seguinte ensaiamos duas vezes. Aquilo era o início de tudo. Não paramos mais.

Quais são as principais influências musicais no som do Carbona?
Ramones e as bandas da Lookout da década de 90: Queers, Screeching Weasel, Groovie Ghoulies.

Comente um pouco sobre o universo das letras do Carbona.
Estórias contadas em bases simples de três acordes e melodias grudentas. O Carbona funciona como filmes de sessão da tarde musicados ou estórias em quadrinhos musicadas. Acho que isso define bem.

O primeiro cd de vocês, o Go Carbona Go, de 1998, foi lançado primeiramente no exterior pelo selo canadense AMP Records, para depois ser lançado no Brasil. Por que isso aconteceu e como ocorreu esse contato com esse selo?
Quando gravamos a demo estávamos conhecendo a web. A proposta daquele novo meio era fascinante. A idéia de conectar pessoas revolucionando a relação tempo X espaço. Começamos a mandar email e demos para todo o mundo. A resposta mais bacana veio do Canadá. Nosso primeiro disco também.

O cd “Back to Basics” traz alguns dos maiores clássicos do Carbona em inglês, você acredita que esse disco ajudou a divulgar o bubblegum na cena nacional e chamar a atenção para outros grupos do estilo?
Difícil saber. O Back to Basics é um disco que reúne várias gravações DEMO que fizemos. Acabou sendo um dos discos de maior vendagem . Difícil dizer o que ele representou pra outras bandas, mas pro CARBONA e pro nossos fãs representou um “puta” disco.

Em 2000 vocês lançaram o Straight Out Of The Bailey Show, que traz três covers, entre elas a clássica Teenage Kicks, do The Undertones. Como surgiu a idéia de incluir essas músicas?
Das bandas européias, o Undertones era a que a gente mais estava próxima no que diz respeito à temática das letras. Teenage Kicks é um hino. Curtíamos a música a letra e achamos que seria legal gravar.

Em 2001 vocês lançaram o A Mighty Panorama of Earth Shaking Rock And Roll, que tem uma história interessante, ele era para ser o segundo disco e acabou sendo o quinto. O que aconteceu?
Não me lembro ao certo… mas este é o meu favorito disco da fase em Inglês. Macarroni Girl faria parte deste disco. Não entrou por que o Back to Basics saiu primeiro. Arrisco a dizer que o MIGHTY, o menos conhecido de todos os discos, é um dos melhores senão o melhor álbum do CARBONA.

A Mighty Panorama of Earth Shaking Rock And Roll acabou sendo o último disco em inglês. Vocês têm planos de lançar mais material em inglês ou até mesmo de lançar uma coletânea com esse material antigo e as raridades?
Sim, a gente gostaria de gravar mas acaba sempre priorizando músicas inéditas em português.

2002 foi um ano de poucos lançamentos e da decisão de lançar um disco em português. Por quê vocês optaram por esse desafio?
A gente já tinha estas músicas prontas. Ao longo dos primeiros anos a gente sempre fazia das músicas em português uma recreação nos ensaios. Um dia tocamos quase 15 músicas e pensamos “Porra temos um disco aqui”. Achamos aquilo o máximo e resolvemos gravar.

O Taito não Engole Fichas, se não é o melhor disco do Carbona, com certeza foi o que trouxe mais exposição na mídia, mais popularidade e fez com que vocês pudessem tocar em cidades que ainda não haviam visitado. Você acredita que esse é o disco mais importante na carreira de vocês?
Sim. Concordo que é um divisor de águas na nossa caminhada.

Também com o Taito não Engole Fichas, vocês gravaram o primeiro clipe de vocês, da música Fliperama. Como foi essa experiência de gravar um videoclipe e qual a importância dele para o grupo?
Foi divertidíssimo! Nunca tinha dado muito valor pra isso até o dia em que filmamos. O clipe foi resultado de uma grande “correria” e força do Samir, um dos diretores. Acho que o clipe ajudou a traduzir ainda mais o espírito da banda.

Em 2004 vocês participaram do Porão do Rock em Brasília. Como foi tocar para mais de 50.000 pessoas e no palco principal do evento?
Uma das experiências mais fodas da minha vida. Tenho muitas lembranças daquele fim de semana! Muitas.

Em 2004 vocês faturaram o prêmio de melhor disco de punk rock nacional de 2003. Talvez esse prêmio tenha sido o primeiro conquistado pelo Carbona. O que isso representou pra vocês?
Ficamos contentes por ter sido um prêmio resultante de votação de internautas. Prêmios com escolha da audiência é sempre bacana.

O Cosmicômica veio em 2005 e com ele uma mudança na sua maneira de cantar. Por quê houve essa mudança?
Aos poucos a idéia de cantarcom a voz parecida com a do Bem Weasel foi “perdendo a graça”. Risos. Rasgar a voz era um artifício para não desafinar muito. Tinha muitas referências de vocais rasgados. Num dado momento comecei a ver que cantar com um vocal próximo seria um desafio e positivo para a banda. No Cosmicômica isso começa, no Apuros se consolida.

Em 2006 vocês deram um tempo com a parceria de anos com a 13 Records para lançar pela Revista Outra Coisa. Por quê houve essa mudança?
A proposta da Revista era interessante. Distribuir o cd por todo Brasil por um preço acessível era algo que casava com nossos objetivos. Somos muito gratos pela 13 RECS e pelo trabalho do André até hoje. Sempre nos incentivaram e acreditaram no nosso trabalho.

Alguns veículos de comunicação que resenharam o Apuros em Cingapura disseram que as letras e a sonoridade do Carbona estão mais maduras. Você concorda com essas opiniões?
Sob certo aspecto sim, mas na verdade a essência está lá. A temática inserida no mesmo universo de criação , as melodias grudentas, as bases e solos simples.

Em 2007 vocês participaram do festival VANS Zona Punk Tour. Com foi realizar uma turnê ao lado de outros grandes grupos da cena e que possuem uma sonoridade diferente do Carbona?
Foi interessante. Acho muito válido a fórmula de shows com bandas de sons diferentes. Pluralidade é algo importante para o mundo. A tour foi bacana como todas as outras. Estar na estrada é turbinar a vida.

Os números do Carbona são impressionantes para uma banda independente. São 8 discos lançados e mais de 400 shows pelas mais variadas cidades do país em 10 anos de grupo. Você acredita que a hiperatividade é o grande diferencial do Carbona?
Eu não costumo levantar a bandeira da produtividade. Na música quantidade não é mérito. Acho que nosso mérito é fazer com vontade aquilo que a gente gosta. Cada banda e artista te,m seu jeito próprio de trabalhar. O nosso foi desta forma e nos trouxe até aqui.

Durante esses 10 anos vocês tocaram junto com grandes ídolos de vocês, tanto no Brasil quanto no exterior, como Marky Ramone, The Queers e Grouvie Ghoulies. Como foi tocar junto com essas bandas e com quem mais vocês gostariam de tocar?
Foi muito bacana tocar com bandas das quais tenho dezenas de discos na prateleira. O Marky é um Ramone ! Não precisa falar mais nada. Na época em que tocamos lá ele ainda não tinha vindo sozinho pro Brasil. Foi mágico. E o Ghoulies na época tinha B Face no Baixo e Dan Panic na Batera! Um selecionado pra nos fãs do bubblegum.

Quais são os projetos do Carbona para 2008?
Gravar um novo disco e cair na estrada. O mesmo que fizemos ao longo dos últimos 10 anos.(Risos)

É isso Henrique. Parabéns pelos 10 anos de Carbona e por tudo que vocês conquistaram nesse período. Muito obrigado pela entrevista. Deixe um recado para os leitores do Vale Punk e do InPop.
Obrigado pela força ao longo destes anos de trabalho. Um brinde à todos aqueles que fazem da música uma eterna fonte de diversão!

Links Relacionados:
www.carbona.com.br

Entrevista realizada dia 30/01/2008 por Flavio Fernandes do site ValePunk .

Aqui no InPop.

Pedro Reis

Uma resposta to “Entrevista com a banda Carbona”

  1. Muito foda a Entrevista, mas sinceramente nao gostei da maneira nova do Henrique cantar!
    Abraco!!!

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